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Introdução que apresenta a tese e conclusão que não repete

6 minutos de leiturapor Felipe Filatte

O relógio anda e a folha continua em branco. Você sabe o que quer defender, mas não sabe como começar, e acaba escrevendo algo como desde os primórdios da humanidade, a sociedade enfrenta diversos problemas. Quatro linhas depois, você ainda não disse nada sobre o tema, e já gastou parte do espaço e do tempo que faziam falta no desenvolvimento. O fim costuma ter o defeito espelhado. O aluno chega cansado, não tem mais o que dizer e reescreve a introdução com outras palavras. O texto termina girando em torno de si mesmo. Abertura vazia e fechamento repetido custam nota em competências diferentes e, juntos, dão a impressão de um texto que não saiu do lugar.

Por que a abertura genérica não funciona

Frases de enchimento existem para ganhar tempo enquanto o cérebro decide o que dizer. Desde os primórdios, na sociedade atual, é notório que, hodiernamente: todas anunciam que o autor ainda não começou. Quem corrige percebe na primeira linha, e a primeira linha é onde se forma a impressão do texto inteiro.

Há uma saída prática para o travamento: não escreva a introdução primeiro. Monte o plano, escreva os parágrafos de desenvolvimento e só depois volte para abrir o texto. Quando os argumentos já existem, apresentar o problema e a tese leva dois minutos, porque você sabe exatamente para onde o texto vai. Na folha de resposta a ordem continua a normal, claro. O que muda é a ordem em que você pensa, e essa mudança costuma economizar cinco minutos de paralisia no começo da prova.

Três movimentos da introdução

A introdução não precisa de fórmula decorada, mas precisa de função. Ela contextualiza, apresenta o problema e anuncia a tese. Em três ou quatro períodos isso fica pronto, e cada período tem um trabalho definido.

  • Contextualização — uma informação concreta que situa o problema: um dado histórico, uma lei, um conceito, uma obra. Uma frase, não três.
  • Recorte do problema — trazer o tema da prova com as palavras da proposta, mostrando que você entendeu o aspecto específico pedido.
  • Tese — o que você defende, em frase afirmativa e clara, com os caminhos que os parágrafos vão seguir.

A contextualização não pode ser um enfeite pendurado. Se você abre com uma referência e ela nunca mais é mencionada, o texto perde unidade. Uma boa abertura já contém, em miniatura, a lógica que o restante vai desenvolver. Também não precisa ser longa. Introdução ocupa a menor parte do texto, porque a nota mora no desenvolvimento e na proposta.

A tese precisa aparecer

Tese não é o tema. Tema é do que o texto fala; tese é o que você afirma sobre isso. Se a sua última frase de introdução poderia ser assinada por qualquer aluno com qualquer opinião, ela não é tese. O corretor lê o texto inteiro procurando se você sustentou o que prometeu, e sem promessa não há o que sustentar.

  • Fraca — o tema é muito importante para a sociedade brasileira e merece atenção.
  • Forte — a permanência do problema decorre de dois fatores: a ausência de política pública contínua e a naturalização cultural da prática.
  • Teste rápido — se dá para discordar da sua frase, ela é tese. Se ninguém discordaria, é enchimento.

Anunciar os caminhos ajuda você mais do que o leitor. Ao escrever que o problema decorre de dois fatores, você fixa a estrutura dos dois parágrafos seguintes e reduz a chance de se perder no meio do texto. É um contrato que você assina consigo mesmo no primeiro minuto.

Fechar retomando sem repetir

A conclusão retoma a tese e avança. Retomar é lembrar o leitor do que foi defendido, em poucas palavras, com vocabulário diferente do usado na abertura. Avançar é apresentar a solução, detalhada, com agente, ação, meio e finalidade, e dizer que efeito se espera dela. A retomada cabe em uma frase. Todo o resto do parágrafo pertence à solução, que é a parte avaliada com mais rigor e a que os alunos escrevem com menos tempo.

Dois cuidados evitam a maior parte dos fechamentos ruins. O primeiro: não introduza argumento novo no último parágrafo, porque não há mais espaço para sustentá-lo e o texto termina desequilibrado. O segundo: não termine com frase de efeito solta, do tipo só assim teremos um mundo melhor, que soa como desistência depois de um texto bem construído.

Um bom teste é ler apenas a introdução e a conclusão, em sequência, ignorando o meio. Se as duas dizem a mesma coisa, falta avanço. Se parecem de textos diferentes, falta unidade. Quando a conclusão soa como consequência natural da abertura, mas com informação que não estava lá, o texto fechou como deveria.