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Prática intercalada: por que estudar tudo de uma matéria é pior

4 minutos de leiturapor Felipe Filatte

O cronograma mais comum do vestibulando é por blocos: segunda é Química, terça é Física, quarta é Biologia. Dentro do bloco, vinte questões do mesmo assunto em sequência. Parece organizado, rende uma sensação ótima de progresso — e treina uma habilidade que a prova não cobra.

Quando todas as questões são do mesmo tipo, você não precisa decidir qual método usar. Já sabe: é o método do capítulo. A partir da segunda questão, o exercício vira execução, não escolha. Só que na prova as questões vêm embaralhadas, e a primeira coisa que você tem que fazer é justamente identificar com o que está lidando.

O que a pesquisa mostra

Doug Rohrer e Kelli Taylor testaram isso com estudantes aprendendo a calcular volumes de sólidos. Um grupo praticou em blocos, outro praticou intercalado. No treino, o grupo em blocos foi melhor — como era de esperar, porque repetir o mesmo procedimento fica fácil rápido. No teste, uma semana depois, o grupo intercalado acertou muito mais (Rohrer & Taylor, 2007).

O desempenho durante o estudo e o desempenho na prova apontam para lados opostos. Isso é desconfortável, e é o principal motivo pelo qual quase ninguém usa a técnica: ela parece estar dando errado enquanto funciona.

Como intercalar sem virar bagunça

Intercalar não é estudar aleatoriamente. Você aprende o conteúdo em bloco e pratica intercalado:

  • Aprenda o tema novo em bloco, como sempre fez — leitura, aula, primeiros exercícios guiados.
  • Na hora de treinar, misture: questões do tema de hoje com questões de dois ou três temas já vistos.
  • Misture dentro da mesma área primeiro (estequiometria com termoquímica), que é onde a confusão é mais útil.
  • Não olhe o gabarito de uma antes de fazer a próxima. A escolha do método é o exercício.

Aplicação imediata

Monte hoje um bloco de 15 questões com três temas diferentes que você já estudou, embaralhadas. Antes de resolver cada uma, escreva numa linha qual método vai usar e por quê. No fim, confira não só quantas acertou, mas quantas vezes você escolheu o método errado — esse número é o que a prova vai cobrar.